Breve apresentação de
Relativismo e ceticismo na dialética serial de Proudhon
Resumo apresentado na própria tese
O objetivo desta pesquisa é examinar o modo como o método e a teoria do
conhecimento de Pierre-Joseph Proudhon (1808-1865), pensador multi-disciplinar e
fundador teórico do anarquismo político, respondem ao importante problema filosófico da
construção de conhecimentos objetivos em face das dificuldades que se impõem a esse
conhecimento devido à contaminação do saber filosófico por filtros de abordagem
personalizados.
O objetivo se justifica pelo fato de que, embora se tenha um conhecimento razoável
de sua sociologia , de sua economia e de seus princípios políticos, os estudos sobre a filosofia
de Proudhon são ainda muito pobres, visto que o autor não tem despertado a atenção de
pesquisadores dessa área. Justifica-se também porque sua filosofia oferece um caminho para
o maior diálogo e interação entre as teorias filosóficas e o pensamento popular, voltado para
questões que a vida diária e o convívio social lhe sugerem. O problema focalizado traz à tona
o debate de Proudhon com filosofias conhecidas, e o situa no centro de discussões com as
quais os estudiosos de Filosofia já estão bem familiarizados, oferecendo também, em sua
esteira, um panorama dos confrontos político-filosóficos no século XIX em torno da questão
do destino e dos rumos do pensamento humano, em face da religião, da filosofia e da ciência
como alternativas.
A hipótese examinada é a de que, diante do problema da construção de
conhecimentos objetivos em face dos filtros de abordagem personalizados da filosofia,
Proudhon oferece como resposta um método universal para a avaliação e o desenvolvimento
dos conhecimentos, que segue por um lado o caminho do ceticismo, e por outro o do
relativismo, combinando as duas tendências de maneira coerente e frutífera.
Proudhon chama sua teoria do conhecimento de "Teoria Serial", e seu método, de
"Dialética Serial". Esta pesquisa, portanto, deve revelar o modo como o relativismo e o
ceticismo se combinam, na construção desse método e dessa teoria do conhecimento, de
maneira a oferecer uma resposta, a resposta proudhoniana, ao mencionado problema.
Sumário da tese
INTRODUÇÃO
1. Informações gerais sobre Proudhon e as principais bases bibliográficas
examinadas...............................................................................................................13
2. Crítica interna, crítica externa: uma breve consideração dos propósitos desta
pesquisa....................................................................................................................21
3. O perspectivismo de base cética e o problema dos filtros filosóficos ................31
4. Autores envolvidos por Proudhon na discussão de seu problema........................39
I - PROUDHON FILÓSOFO
1. Alguns interlocutores privilegiados por Proudhon no campo da filosofia. .......44
A) Idealismo alemão à francesa? .......................................................................44
B) Nas vizinhanças de Kant e de Hume..............................................................67
C) Fourier.............................................................................................................69
2. Relativismo perspectivista e antiteísmo...............................................................71
A) Perspectivismo e relativismo em Proudhon..................................................71
B) Antiteísmo e relativismo diferencial..............................................................75
C) Do perspectivismo ao investigacionismo (ou ceticismo)..............................79
3. O estilo nada acadêmico do pensar proudhoniano...............................................89
A) Considerações sobre o caráter filosófico do pensamento de proudhon..........89
B) Proudhon e a demarcação das fronteiras da filosofia.....................................95
C) O estilo proudhoniano na referência às fontes: deslizamentos.......................99
D) A teoria em sentido extra-acadêmico...........................................................100
E) Deslizamentos com foco referencial e responsabilidade do autor................103
F) Saint-Simon por trás de Comte?...................................................................106
4. Comte ou Saint-Simon? Hegel ou Cousin? .......................................................109
A) Proudhon reedita a "lei dos três estados" de Comte?...................................109
B) Diferenciais de Comte em relação a Saint-Simon........................................113
C) O que há de fato, em Proudhon, de Saint-Simon por trás de Comte?..........117
D) Para além dos zigue-zagues acadêmicos......................................................123
E) De volta ao zigue-zague: Saint-Simon ou Comte? - O viés político desta
questão...............................................................................................................127
F) A herança saint-simoniana observada mais de perto....................................135
G) Proudhon, Cousin e a Lei dos Três Estados.................................................140
5. O diferencial de Proudhon (Religião, Filosofia e Ciência) ..............................164
A) Religião, filosofia e a noção de síntese dialética..........................................164
B) Religião.........................................................................................................166
C) Por que a filosofia é superior à religião?......................................................172
D) O caráter fixista da religiosidade..................................................................173
E) O desequilibrado caráter mobilista da racionalidade filosófica....................174
F) A "unidade" no pensamento religioso: uma confusão que faz sentido.........176
G) Proudhon rejeita a filosofia em favor da ciência?........................................178
H) A política e o descompasso do intelecto diante do fluxo.............................180
i) A falta de apoio fenomênico nas teorizações filosóficas...............................183
J) A filosofia e o método para a refundação da ciência.....................................185
K) As sub-fases da fase filosófica.....................................................................189
a) Nota introdutória......................................................................................189
b) O autêntico espírito filosófico: última meta intrínseca à filosofia...........190
c) A filosofia de primeira fase: causalidade como contaminação religiosa..193
d) Segunda sub-fase filosófica: silogismo, a contaminação formalizada....196
e) Terceira sub-fase: fim da hierarquia e da crença, filosofia moribunda....201
f) Filosofia de última fase: o generoso suicídio...........................................204
g) De volta a Comte e Cousin......................................................................207
II - TEORIA SERIAL E DIALÉTICA SERIAL
1. O sentido geral de teoria e da Teoria Serial .....................................................210
A) Teorização como mapeamento ...................................................................237
a) Há pensamento teórico mais formalizado como tal ou menos ...............237
b) O pensamento teórico é descritivo ..........................................................238
c) O pensamento teórico é orientador .........................................................239
d) O pensamento teórico é indiretamente avaliador ....................................241
e) O pensamento teórico é um instrumento indireto para a intervenção na
realidade ......................................................................................................243
B) O tipo de mapeamento da Teoria Serial .....................................................245
a) O território mapeado ...............................................................................245
b) A quem o mapa orienta ...........................................................................250
c) Quais os seus critérios de avaliação das relevâncias? .............................255
2. Componentes da Teoria Serial e sua dinâmica epistemológica.........................258
A) A noção de "fenômeno" e o realismo pragmático-fenomênico....................261
a) A razão "equilibrista" e a estrutura fenomênica......................................265
b) O caráter sígnico dos fenômenos.............................................................276
B) Série ............................................................................................................280
C) Unidades .....................................................................................................284
a) Unidades abrangentes (não seriadas) ......................................................285
b) Unidades componentes ...........................................................................286
D) Empirismo modificado (empirismo analítico, não-indutivista) ...................287
E) Razão ...........................................................................................................291
F) Equilíbrio e absolutos (dialética unidade-relação) ......................................293
G) Ponto de vista .............................................................................................296
H) Dialética antitética e Princípio de movimento ............................................301
I) Ordem e progresso: ideomania, movimento e conhecimento ......................308
3. Tipologias .........................................................................................................313
A) Série mínima (dialética) e série sistêmica ...................................................314
B) Séries natural, artificial, analógica e lógica..................................................316
C) A questão da qualidade dos conhecimentos.................................................322
4. A reviravolta final: reencarnação científica da filosofia...................................323
III - EXAME CRÍTICO DOS CRÍTICOS
Ou como a filosofia de Proudhon, em seu
conjunto, atuaria em sua defesa frente aos seus principais críticos
1. O ambiente intelectual alemão, o romantismo e a gênese dos hegelianos russos
que dialogam com Proudhon..................................................................................328
2. Bakunin e Stirner: dois críticos tão importantes quanto desconhecidos............336
A) Bakunin.........................................................................................................336
B) De Bakunin a Stirner....................................................................................346
C) De Stirner a Bakunin....................................................................................357
D) Stirner...........................................................................................................361
E) Exame dos posicionamentos de Bakunin em relação a Proudhon................371
F) Exame dos posicionamentos de Stirner em relação a Proudhon...................402
3. Exame dos posicionamentos de Marx em relação a Proudhon..........................412
A) A Sagrada família: Marx a favor de Proudhon?..........................................412
a) A radicalidade da crítica Proudhoniana:da propriedade à idéia de deus 412
b) O Proudhon real e o Proudhon "de massa" idealizado por Marx ............418
c) A concepção estratégica da história em Proudhon...................................423
d) A estratégia de Marx com relação a Proudhon.........................................424
e) Positividade e negatividade nas dialéticas de Proudhon e Marx..............427
f) Síntese hegeliana e idealização massificante em Marx.............................433
g) O papel do intelectual revolucionário e a imagem de Proudhon
"aburguesada" por Karl Marx.......................................................................440
h) A questão do determinismo histórico e contextual (herança hegeliana de
Marx).............................................................................................................447
i) O trabalho e a determinação das metas revolucionárias: "missão" histórica
ou decisão coletivamente construída?...........................................................453
j) Há utopismo na orientação proudhoniana?...............................................460
k) A unidade: perigosa ferramenta estratégica para simplificar e concentrar a
ação revolucionária.......................................................................................462
l) Dois Marx na balança: o de Stalin e o de Trotski......................................467
B) Miséria da filosofia: Marx contra Proudhon.................................................470
a) História e engendramento de idéias..........................................................470
b) Apriorismo em Proudhon? Ou mero recurso anti-dogmático? A questão
dos engendramentos históricos.....................................................................472
c) Aproximação do ceticismo pela valorização da prática............................480
d) A estratégia marxiana de desqualificação política de Proudhon..............483
e) A força coletiva em Marx e Proudhon......................................................488
CONCLUSÃO: Relativismo e ceticismo em Proudhon
1. O perspectivismo em Proudhon é auto-evidente................................................493
2. Um problema: Proudhon se diz contrário ao ceticismo. Cético malgré lui?......498
A) Alisando a tortuosa imagem do ceticismo em Proudhon.............................498
B) um falsificacionismo proudhoniano? ..........................................................501
3. Primeiros argumentos no sentido de um ceticismo proudhoniano.....................508
4. Argumentos complementares.............................................................................510
A) Argumento complementar nº 1: Proudhon, como os céticos, valoriza o
pensamento corriqueiro que se elabora diariamente, na vida prática................510
B) Argumento complementar nº 2: não há precipitação dogmática logicista em
Proudhon............................................................................................................511
C) Argumento complementar nº 3: não há dogmatismo mobilista em Proudhon
- seu princípio de movimento não é dogma ou tese........................................513
D) Argumento complementar nº 4: a valorização proudhoniana da justiça,
normalmente apontada como deslize idealista e dogmático, é ela própria um
dispositivo anti-absolutizante...........................................................................521
5. Argumento final: o relativismo proudhoniano é compatível com o ceticismo, e ao
menos de maneira aproximada, a influência cética em Proudhon é avaliável.......522
BIBLIOGRAFIA.............................................................................................................536

